Antes de me entregar novamente à lâmina e ao hospital, busquei desesperadamente por outras saídas. Fui de consultório em consultório, ouvindo uma segunda, uma terceira opinião, rezando em silêncio para que algum médico me dissesse o contrário. Mas a resposta vinha sempre como um eco duro e inevitável: "A cirurgia é extremamente necessária."
Mesmo sabendo da urgência, eu adiei. Adiei um pouco... ou melhor, adiei o máximo que pude.
E por que adiei? Porque eu estava apavorada. Um medo paralisante, que me tirava o ar e congelava a alma. Não era apenas o corte na pele; era uma cirurgia de altíssimo risco, acompanhada por uma estatística brutal: 99% de chance de acordar usando uma bolsa de colostomia. Como aceitar isso? Como encarar a ideia de ver meu próprio corpo transformado para sempre? O medo de perder o controle sobre mim mesma me fez travar na beira desse abismo.

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