Em 14 de janeiro de 2021, o relógio parecia arrastar as horas enquanto eu caminhava ao encontro da tão esperada consulta com a mastologista. Nas mãos, eu levava uma pasta que pesava mais do que todos os papéis e exames — incluindo a biópsia — podiam traduzir. Mas chegar até ali não foi simples; parecia que cada pequeno detalhe do universo conspirava para colocar barreiras no meu caminho.
O atraso da médica veio acompanhado do aviso seco da secretária: ela iria demorar. Muito. A sugestão de remarcar soou como um golpe, um adiamento do inevitável. Respirei fundo, fechei os olhos por alguns minutos e tomei a decisão de ficar. Eu não podia voltar para trás.
A espera se prolongou por dolorosas seis horas além do horário marcado. A cada minuto que passava naquela sala, o nervosismo me engolia por inteiro, fazendo meu peito apertar. E nesses momentos, em que a realidade fica pesada e assustadora demais para suportar, eu faço o que sempre faço quando o medo tenta me dominar: fecho os olhos e fujo para o meu lugar favorito...
"Meu mundinho"

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