A tão esperada consulta... finalmente chegou.
A mastologista é a sensibilidade em forma de gente, uma alma rara e de uma delicadeza sem tamanho. Olhou nos meus olhos, examinou cada detalhe e, com os exames nas mãos, refez o percurso do meu corpo com uma cautela dolorosa. Depois, com todo o cuidado e a humanidade que cabiam naquele espaço, revelou o diagnóstico.
Sinceramente, não sei se existem palavras certas ou um tom suave o suficiente para dizer a alguém que ela está com câncer. Na verdade, tenho certeza de que não existem.
Só o som dessa palavra — câncer — já carrega um peso capaz de paralisar o tempo, congelar o sangue e fazer o chão desaparecer debaixo dos pés. É uma palavra que ecoa como um trovão no peito, assustando até a estrutura mais forte e lançando a alma em um abismo de incertezas.

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