domingo, 20 de setembro de 2026

O silêncio no caminho de casa

 

💔

          Sair do consultório e entrar no carro foi como fechar a porta de um mundo e ser arremessada em outro. O silêncio no caminho para casa não era apenas ausência de som; era um peso sufocante, denso, um nó preso na garganta que tornava qualquer palavra pequena demais para a grandeza do que eu estava sentindo. Meu marido ao lado, o mundo lá fora girando na sua rotina normal, e eu, ali, tragada por uma tempestade invisível.

      Por dentro, o caos. Meus pensamentos não eram pensamentos, eram gritos. Mil perguntas se atropelavam sem dar tempo para respostas. E agora? Como vai ser o amanhã? Todos os planos que desenhei com tanto carinho durante as férias, o sonho de voltar para a escola, para a minha rotina, para a minha vida... tudo parecia ter se desfeito em segundos, suspenso no ar.

       E a quimioterapia? Essa palavra gigante, assustadora, que os médicos falam com uma frieza clínica, mas que para mim soar como um abismo. Ninguém explica de verdade o que é sentir isso na pele. Talvez porque não existam palavras suficientes no dicionário. Existe uma teoria, um protocolo, mas a dor, o medo e a coragem de atravessar essa ponte só quem pisa nela conhece. O resto do mundo pode tentar acolher, olhar com pena ou oferecer consolo... mas, no fim das contas, a tempestade é minha, e só eu sei a força que vou ter que arrancar do fundo da alma para atravessá-la.

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