terça-feira, 16 de agosto de 2022

O primeiro sinal do meu corpo



Em 2017, o meu corpo deu o primeiro sinal. Descobri a presença de alguns nódulos na mama esquerda, e, naquele instante, um frio congelante percorreu a minha espinha.

Vieram os exames, a ansiedade sufocante da biópsia e a espera angustiante por um resultado. O veredito trouxe um suspiro de alívio: era um nódulo benigno. Um susto, mas sem perigo imediato. Naquele momento, tudo parecia sob controle; o protocolo era simples, bastava manter o olhar atento e acompanhar a evolução a cada seis meses.

E assim eu fiz. Religiosamente.

A cada seis meses, eu voltava àquele consultório. Refazia a mamografia, encarava o gel frio do ultrassom e segurava o respiro no escuro da sala de exames, torcendo em silêncio para que a vida continuasse seguindo o seu curso em paz.



Praia do Porto - Imbituba/SC


Transformando a dor em palavras

        Já faz um tempo... um tempo longo demais em que essa ideia pulsa no meu peito, me chamando em silêncio: a vontade de criar um blog e dar voz a tudo o que vivi.

               Hoje, finalmente, a coragem venceu o medo.

            Decidi abrir este espaço como quem abre a janela de uma casa em dias de tempestade, buscando luz. Aqui, vou deixar registrado cada pedaço dessa jornada — as memórias que ainda doem, o presente que me desafia a cada amanhecer e tudo o que me atravessou desde aquele instante em que o mundo parou: a descoberta do câncer.

           Não escrevo apenas para não esquecer. Escrevo para libertar o que trago no peito, para dar sentido à dor e, quem sabe, segurar a mão de alguém que esteja atravessando o mesmo escuro que eu. Seja bem-vindo à minha verdade.

Janeiro - 2021