Naquele dia 23 de dezembro, o mundo parecia ter pausado para o fim de ano. Conseguir uma consulta emergencial para que a médica analisasse o resultado da biópsia era uma missão impossível — os consultórios estavam fechados e os telefones só chamavam em vão. Estavam todos de férias.
Eu estava com aquele envelope nas mãos, segurando o peso de uma dúvida que poderia mudar a minha vida, mas não havia a quem recorrer.
Foi então que tomei uma das decisões mais difíceis e corajosas da minha jornada. Olhei para o envelope, respirei fundo e o guardei no fundo da gaveta. Decidi que não deixaria o medo roubar os meus dias. Tranquei a angústia no peito, engoli a incerteza e fui viver. Fui buscar o abraço da minha família no Natal, ver o céu se iluminar no Ano Novo e respirar o ar das férias.
Aquele gesto não foi fuga, foi um ato de sobrevivência. Eu precisava guardar forças, me encher de amor e fé, porque no fundo do meu coração eu sabia: quando o ano virasse, eu precisaria de cada pedaço de mim para lutar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário